Questionários

Aspetos a observar na construção de um inquérito por questionário

Listar as variáveis

O questionário é outra forma de recolha de dados que tem em vista testar as hipóteses da investigação. Daí que um dos aspetos importantes diz respeito à identificação das variáveis que estão associadas às questões da investigação e a sua associação às respetivas questões a incluir no questionário.


Variáveis independentes

São aquelas que afetam outras variáveis, mas não precisam de estar relacionadas entre si. Costumam designar-se por variáveis de entrada.

Variáveis dependentes

São aquelas que variam em função de outras variáveis. Costumam designar-se por variáveis de saída.

Associar perguntas com variáveis

O desenho e a elaboração de um questionário tem em conta as questões da investigação, relacionadas com o objetivo principal e específico, assim como as respetivas hipóteses relacionadas. Da análise atenta de cada uma das hipóteses, surge habitualmente um conjunto de questões. com as respetivas variáveis associadas.

Uma pergunta uma variável

Consiste numa pergunta específica, que pretende averiguar um único facto, o qual constitui uma única variável. Por norma, são variáveis dicotómicas, porque apresentam apenas duas categorias (sim-não, verdadeiro-falso).

Uma pergunta com mais que uma variável  

Consiste numa pergunta específica, que pretende averiguar mais do que um facto, ou seja pretendem obter informação sobre várias variáveis. Normalmente denominam-se de politómicas, dado que apresentam mais do que duas categorias.

Escolher as escalas de medida de cada pergunta

Os dados que são utilizados para análise estatística, têm origem na medição de uma ou mais variáveis. Dependendo da natureza destas variáveis e na forma como são medidas, assim se obtêm diferentes tipos de dados, representados por diferentes escalas de medida.


Escala nominal

Este tipo de escalas consiste num conjunto de categorias de resposta qualitativamente diferentes e mutuamente exclusivas. Exemplo: Sim/ Não, Masculino/ feminino, diretor, professor, aluno. É possível atribuir um número a cada categoria, para codificar as respostas, mas os números não implicam diferenças em quantidade, só servem para identificar a categoria qualitativa.


Qualitativas escolhidas a partir de um conjunto de respostas alternativas

São escalas associadas a perguntas de carácter fechado, que fazem parte de uma escala, com o objectivo de averiguar características não quantificáveis, pelo que é imprescindível estabelecer categorias para cada modalidade da variável.


Escala de Likert

A escala de Likert está associada a perguntas de carácter fechado. É construída através de uma escala, com a qual se pretende obter o grau de acordo/desacordo dos inquiridos, no que concerne a um dado conceito. (mais informações sobre este tipo de escalas, na parte final do quadro)

Quantitativas escritas por números. Escala de rácio

Nestas escalas há um zero absoluto, sendo  nessa característica que reside a diferença, relativamente à escala de intervalo. Os denominados “pontos zero”, que significam ausência de característica ou propriedade, são difíceis de fixar em Educação, quando se reportam a características internas dos inquiridos, difíceis de contabilizar. Consequentemente, em Educação, as variáveis medidas por esta escala devem ser concretas por exemplo, idade, tempo, etc..

Quantitativas escolhidas a partir de um conjunto de respostas alternativas.

São escalas de medida, que se traduzem em conjuntos de perguntas fechadas, para as quais é necessário escolher um conjunto de respostas alternativas. É possível associar números às respostas para analisá-las por meio de técnicas estatísticas, sendo que os números associados a um conjunto de respostas apresentam uma escala de medida.

Escala ordinal

Estas escalas admitem uma ordenação numérica das suas categorias ou seja das respostas alternativas, estabelecendo uma relação de ordem entre elas, contudo não é possível medir a magnitude das diferenças entre as categorias.

Escala de intervalo

Uma escala de intervalo é aquela em que os intervalos entre os valores da escala indicam a posição e quanto os sujeitos, objetos ou fatos estão distantes entre si relativamente a uma determinada característica. Permite comparar diferenças entre medições, mas não permite concluir quanto à magnitude absoluta das medições, porque estas são calculadas a partir de um ponto zero fixado de forma arbitrária.

Tipos de respostas alternativas

Há vários tipos de respostas alternativas que podem ser utilizadas num conjunto ou bloco de perguntas. As mais utilizadas são do tipo quantidade, frequência, avaliação e resposta de alfaiate. A escala do tipo quantidade, será por exemplo: muito pouco, pouco, médio, muito e bastante. A escala do tipo frequência, será por exemplo: nunca, raramente, às vezes, muitas vezes e sempre. A escala  do tipo avaliação, será por exemplo: muito mau, mau, razoável, bom, muito bom. No último caso, como nem sempre é possível utilizar respostas alternativas gerais, a solução passa por encontrar uma resposta à medida, daí a frase , resposta de alfaiate.

Escrever as perguntas

Pense cuidadosamente qual é o objetivo das perguntas que está a colocar no questionário, qual será o público que irá responder e o tipo de dados que precisa coletar, tais como dados quantitativos, qualitativos ou mistos. As perguntas podem ser fechadas e abertas.

Reduzidas

Clareza está inversamente relacionada com a extensão de uma pergunta.  Faça perguntas curtas com apenas um questão e linguagem adequada . As perguntas devem ser escritas de forma neutra, sem informação persuasiva e sem induzir respostas positivas ou negativas. Será Importante fazer um teste-piloto para identificar a clareza das perguntas.

Compreensíveis

A pergunta deve formalizar uma interrogação cujo significado seja percebido pelo inquirido, mesmo que este não saiba responder-lhe.

Não ambíguas

As perguntas não devem ter leituras subjectivas ou eventualmente ter dois ou mais sentidos, deixando o respondente, confuso.

Abertas ou Fechadas

As perguntas abertas requerem uma resposta construída e escrita pelo respondente, ou seja, a pessoa responde com as suas próprias palavras.  Apresentam as seguintes vantagens:

- Podem fornecer mais informações e detalhes.

- Por vezes dão informação inesperada

Nas perguntas fechadas, o respondente tem de escolher entre um conjunto de respostas alternativas, escritas pelo autor. Os questionários com perguntas fechadas são utilizados para obter informações quantitativas. A principal vantagem é a facilidade de aplicar análises estatísticas para analisar as respostas  As desvantagens são respostas com poucas informações que por vezes conduzem a conclusões simples.

Organizar o questionário em secções

Divida o seu questionário nas seguintes seções: introdução, orientações sobre  como responder, informações sobre a instituição ou entrevistador e seções referentes ao tema. É muito importante prestar atenção ao layout do questionário, porque um layout claro e agradável, aumenta a probabilidade de obter a cooperação dos respondentes.

Apresentação do investigador

Na Introdução do questionário, o investigador deve-se apresentar.

Apresentação do tema

A apresentação do tema, objetivo e importância da pesquisa e participação do respondente do questionário, também são importantes na introdução do questionário. Vale a pena escrevê-la cuidadosamente porque as primeiras impressões são importantes, especialmente como determinantes da decisão de cooperar. Apresente o protocolo de ética e agradeça a participação do respondente.

Instruções de preenchimento

É importante dar instruções adequadas aos respondentes, e é especialmente importante dar  instruções novas, sempre que se muda a forma das perguntas.  Por exemplo, uma pergunta aberta depois de um bloco de perguntas fechadas precisa de uma instrução nova .  No caso de uma pergunta onde sejam permitidas respostas múltiplas é necessário referir isso numa instrução ligada com a pergunta. Nas perguntas que precisem de uma só resposta, devemos  a informação no enunciado e indicar também como assinalar a resposta.

Confirmar as hipóteses com as perguntas

Testar as hipóteses sugeridas será um passo fundamental no processo de investigação. Há que definir processos empíricos, através dos quais seja possível verificar as hipóteses. Os questionários poderão ser uma forma de obter respostas e confirmações, relativamente ás hipóteses levantadas. Através de análise estatística será possível analisar o que for quantificável confirmando ou refutando as hipóteses.

Escala Nominal -Técnicas não paramétricas

As técnicas paramétricas é um tipo de análise estatística que lida com parâmetros. Um parâmetro é uma característica de uma população, por exemplo o valor médio de uma variável. Estas técnicas assumem que os valores de uma variável, têm uma distribuição normal. As técnicas estatísticas do tipo paramétrico são: o teste t, a análise de variância, a correlação (do tipo Pearson), a regressão linear, etc.

Escala Ordinal - Análise de variância

A análise de variância compara médias de diferentes populações para verificar se essas populações possuem médias iguais ou não. Não esquecer que a variância de um conjunto de dados é definida pelo quadrado do desvio padrão, representando este os desvios de cada valor, relativamente a um determinado conjunto, relativamente à média.

Escala Intervalo - Técnicas não paramétricas ou paramétricas

As técnicas não paramétricas não lidam com parâmetros e não assumem que os valores de uma variável têm uma distribuição normal. Alguns exemplos destas  técnicas estatísticas são: o teste do qui-quadrado, o teste dos sinais, de correlação de Spearman, etc.

Escala Rácio -Técnicas paramétricas

As técnicas paramétricas é um tipo de análise estatística que lida com parâmetros. Um parâmetro é uma característica de uma população, por exemplo o valor médio de uma variável. Estas técnicas assumem que os valores de uma variável, têm uma distribuição normal. As técnicas estatísticas do tipo paramétrico são: o teste t, a análise de variância, a correlação (do tipo Pearson) e a regressão linear, etc.

Escala de Likert - Técnicas de correlação

As técnicas de correlação ou de grau de associação entre variáveis, têm por objectivo, avaliar como uma equação linear ou outra descreve ou explica a relação entre as variáveis.

Bibliografia

Carmo, H. e Ferreira, M. (2008). Metodologia da investigação. UAb. Lisboa.

Coutinho, Clara (2011), Metodologia de Investigação em Ciências Sociais e Humanas: teoria e prática, Coimbra, Edições Almedina, SA.

Hill, M., Hill, A. (2009). Investigação por questionário. Edições Sílabo. Lisboa.

Research Methods knowledge Base http://www.socialresearchmethods.net/kb/contents.php (acedido em 14-02-2015).

 

UAb - Universidade Aberta

Trabalho realizado por:

Cândida Perpétua Pombo - 1401446

Mara Denize Mazzardo – 1401439

José Manuel Freixo Nunes – 1005074

 

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